TECNOLOGIA A FAVOR DA INFÂNCIA

 

 

Quais são os serviços disponíveis para crianças e adolescentes do seu município? Existem vagas suficientes na rede de ensino? E como anda o atendimento oferecido pela saúde? Estão de acordo com as necessidades desta população? No intuito de fornecer uma visão ampliada acerca da condição de vida de meninos e meninas e contribuir para a elaboração de políticas públicas que respeitem a realidade de cada município, a organização não governamental de Belo Horizonte Oficina de Imagens desenvolveu, em parceria com o Instituto C&A, a Plataforma MapaDCA. Atualmente, cerca de 300 municípios de 23 estados já estão cadastrados.

Virtual e gratuita, a ferramenta permite que os usuários preencham formulários com perguntas relacionadas a crianças e adolescentes e gerem relatórios individualizados sobre a situação das políticas no município. Criada há pouco mais de um ano, a Plataforma chega em 2013 com uma versão atualizada, com dados e relatórios mais completos além de um tutorial de uso da ferramenta. Outra novidade é que os usuários poderão comparar os dados de seus municípios com indicadores estaduais e nacionais.

Inovação e método - De acordo com a coordenadora do MapaDCA, Adriana Mitre, a ferramenta inova ao estimular entre os municípios a cultura do diagnóstico a partir de uma metodologia simples e participativa.  "Ou o município não tem verba para financiar o diagnóstico ou, se tem, não se envolve com o processo de levantamento de dados. O MapaDCA é livre, gratuito e apresenta uma metodologia prática que propõe o envolvimento das pessoas", avalia. A ferramenta é direcionada ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o CMDCA, órgão responsável por elaborar e monitorar as políticas públicas para a infância, mas também pode ser utilizada por outros órgãos da área, como o Conselho Tutelar.  

Em São Luis do Quitunde, interior de Alagoas, o Conselho Municipal dos Direitos e demais entidades que trabalham com crianças e adolescentes elaboraram o Plano de Ação da infância e adolescência de 2013 com base nos dados obtidos pela Plataforma. O grupo imprimiu os relatórios do MapaDCA e a partir dele, identificaram os principais desafios do município, como evasão escolar e a necessidade de maiores investimentos na área da cultura.

"O MapaDCA é uma ferramenta muito importante, pois você trabalha com outras políticas, com a rede. Quando você pede dados sobre a saúde, esporte, educação você tem um conhecimento sobre os problemas. E quando você gera o relatório [disponibilizados pela Plataforma], você tem um conhecimento ainda maior", comenta Érica Maria Alves da Silva, conselheira municipal dos direitos de São Luis do Quitunde.

Para a coordenadora dos programas Redes e Alianças e Desenvolvimento Institucional do Instituto C&A, Cristiane Félix, o MapaDCA é um instrumento que orienta a compreensão do contexto local e contribui para o desenho das políticas eficazes para crianças e adolescentes. "Se por um lado a Plataforma permite a identificação real das demandas e necessidades dos municípios, por outro lado também identifica as potencialidades. A visão diagnóstica favorece o uso correto dos recursos públicos e isso é precioso para qualquer política", avalia.

Design de interação - De acordo com Marcos Machado, sócio fundador da Vöel, empresa responsável pelo desenvolvimento técnico da ferramenta, o fato da Plataforma ter sido criada a partir do design de interação, permite que ela seja uma interface adaptada à realidade do seu público.  "Para elaborarmos o MapaDCA, levamos em conta o perfil do usuário. Muitos deles têm dificuldade de acesso, as conexões são lentas. Por isso a Plataforma foi projetada para ser a mais leve possível. Também foi planejada para ser simples, a fim de permitir a acessibilidade e não limitar o uso, tecnologicamente falando".

Como utilizar - O processo para utilizar a Plataforma é simples: os interessados devem se cadastrar pelo endereço www.mapadca.org e gerar uma conta, a partir da qual será possível preencher os formulários da ferramenta.  As perguntas sobre as políticas e as condições de vida de crianças e adolescentes estão divididas em dez diferentes áreas temáticas, como "Cultura, Esporte e Lazer", "Trabalho Infantil" e "Medidas Socioeducativas" e é a partir das respostas dadas que os usuários têm acesso a uma avaliação sobre seu município. Após o preenchimento de cada área, são gerados relatórios que trazem informações sobre a forma como as políticas da infância têm sido priorizadas. A proposta é ajudar o município a ter uma visão geral sobre suas ações na área.

Fonte: Oficina de Imagens

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